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13/07/2017
Prevenir ou remediar?
por: Equipe Leite Integral

As afecções de casco estão entre os principais problemas que afetam a saúde e a produtividade dos rebanhos leiteiros.

Em média, menos de 25% das vacas leiteiras possuem dois cascos perfeitos, sem nenhum tipo de lesão. Nas melhores fazendas, esse índice é de cerca de 50%. Isso indica que, praticamente, todas as propriedades têm possibilidade de melhorar a qualidade dos cascos. E prevenir é sempre mais eficaz e barato que remediar!

As afecções de casco estão entre os principais problemas que afetam a saúde, a produtividade, o bem estar e a lucratividade dos rebanhos leiteiros.

Para controlá-las, é essencial entender a relação entre a qualidade dos cascos e o desafio que eles sofrem. A qualidade depende de aspectos como: a nutrição energética e proteica, suplementação mineral e vitamínica, manejo alimentar diário, genética, uso de pedilúvio e saúde no período peri-parto. Por outro lado, o desafio é representado pelas condições higiênicas das instalações, presença excessiva de esterco e umidade, disponibilidade de locais para descanso, qualidade e conservação de trilhas e piso, manejo diário das vacas e saúde de animais adquiridos. A relação entre a qualidade dos cascos e o desafio ao qual são expostos, em cada propriedade, vai determinar a intensidade do problema e, seu conhecimento, permite a adoção de medidas de controle específicas, que são fundamentais para evitar os imensos prejuízos que podem advir das lesões podais.

Nesse artigo, nosso foco serão as ferramentas para melhorar e assegurar a saúde dos cascos.

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Foto:  A nutrição tem um grande impacto na qualidade da sola, na saúde do cório e na adesão entre o osso do pé e a parede do casco.

QUALIDADE DOS CASCOS

A qualidade dos cascos indica o quanto eles estão aptos a enfrentar injúrias e outros desafios, e é determinada por uma combinação de fatores como dureza, formato e estrutura interna.

Para assegurá-la, é necessário:

1) Fornecer uma dieta de alta qualidade e assegurar um consumo de matéria seca adequado, especialmente no peri-parto. Isso fará com que os cascos estejam sempre fortes.

2) Fazer uma avaliação individual de todos os cascos três vezes ao ano, realizando o casqueamento preventivo sempre que necessário. Isso garantirá que os cascos estejam sempre no formato adequado.

3) Permitir que as novilhas e vacas secas se exercitem com regularidade para favorecer a circulação sanguínea nos pés.

4) Utilizar sempre o pedilúvio, de acordo com a recomendação do (a) veterinário (a).

5) Estar atento à qualidade de pernas e pés ao programar os acasalamentos.

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Foto: O peri-parto é o período de maior risco para os problemas de casco. Assim como os ligamentos do canal do parto, os tecidos conectivos dos cascos sofrem ação hormonal e se tornam mais frouxos.

PAPEL DA NUTRIÇÃO

A nutrição tem um grande impacto na qualidade da sola, na saúde do cório e na adesão entre o osso do pé e a parede do casco.

O aspecto nutricional mais importante para garantir a qualidade dos cascos parece ser o adequado funcionamento do rúmen, assegurando um bom suprimento de energia, a produção de vitaminas pelas bactérias, incluindo a biotina, e consumo de nutrientes, especialmente macro e microminerais. A acidose deve ser prevenida, por meio do fornecimento de níveis adequados de fibra.

Alguns nutrientes específicos são essenciais para a formação e manutenção da saúde dos cascos. Dentre eles, destacam-se o cálcio, fósforo, zinco, cobre, manganês, e as vitaminas A, D, E e biotina.

ONDE ESTÁ O MAIOR RISCO?

O peri-parto é o período de maior risco para os problemas de casco. Assim como os ligamentos do canal do parto, os tecidos conectivos dos cascos sofrem ação hormonal e se tornam mais frouxos. Isso coloca uma maior pressão sobre a sola e, consequentemente, sobre o cório, entre a sola e o osso do pé.

Além disso, para assegurar as altas produções do início da lactação, o organismo da vaca direciona os nutrientes, principalmente energia e cálcio, para a glândula mamária, o que, somado à queda no consumo de matéria seca característica do pós-parto imediato, também torna o casco mais fraco.

Soma-se a tudo isso o fato de que o parto causa edema, inclusive nos pés, causando redução da circulação sanguínea e tornando os cascos mais susceptíveis a hemorragias e outras lesões.

POR QUE FAZER O CASQUEAMENTO PREVENTIVO?

O principal objetivo do casqueamento preventivo é reestabelecer a forma e função normais dos cascos.

Os cascos de uma vaca crescem a uma taxa de 5mm por dia. Se o excesso de tecido formado não for removido de tempos em tempos, as unhas tornam-se muito grandes, alterando os aprumos e a forma como as vacas caminham. Com isso, a distribuição do peso ficará anormal, o que poderá causar traumas nos tecidos moles, resultando em lesões.

Por outro lado, se o desgaste exceder o ritmo de crescimento, a sola se tornará muito fina. Esse tipo de problema ocorre em sistemas que utilizam areia reciclada e pisos de concreto, podendo resultar em laminite e úlcera de sola, devido à infecção dos tecidos moles do casco, por falta de proteção.

Por isso, todos os pés devem ser examinados periodicamente, sendo feitas as correções necessárias.

Recomenda-se que seja feito um casqueamento logo após a secagem. Vacas e novilhas não devem ser casqueadas próximo ao parto ou durante os 30 primeiros dias de lactação. Caso sejam mantidos em free stall ou tie stall, os animais devem ser casqueados novamente, se necessário, aos 120-140 dias após o parto. Se a fazenda utilizar colchões ou houver problemas de conforto, as vacas devem ser reavaliadas aos 80 dias pós-parto e novamente aos 200 dias de lactação.

PEDILÚVIO É ESSENCIAL

O uso de pedilúvio, 3-5 vezes por semana, é essencial no controle das afecções podais, reduzindo os processos infecciosos e, muitas vezes, melhorando os tecidos córneos.

Deve ser construído, preferencialmente, nas proximidades da sala de ordenha, especialmente na saída, mas os animais devem primeiro passar por um lava-pés localizado a 10 metros do mesmo.

As dimensões ideais são: 80cm de largura, 3m de comprimento e 20 cm de profundidade, com uma lâmina de solução de 10 cm.

Os produtos mais utilizados são a formalina 3-5%, o sulfato de cobre 3-5%, o sulfato de zinco 10% e, em casos específicos a tetraciclina 0,1%. Recentemente, foi lançado no Brasil um produto à base de ácido tricloroisocianurico, capaz de eliminar os principais microrganismos causadores de lesões nos cascos, com a vantagem de não ser inativado pela presença de matéria orgânica.

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Foto: Todos os pés devem ser examinados periodicamente, sendo feito o casqueamento corretivo sempre que necessário.

QUALIDADE HERDADA

A saúde dos pés deve ser um dos objetivos dos programas de melhoramento genético das fazendas leiteiras. Existem variações genéticas relacionadas ao tamanho, forma, resistência e qualidade dos cascos. Por exemplo, cascos pigmentados são mais duros que os mais claros. Raças menores possuem cascos, relativamente, maiores. O grau de  resistência ao desconforto e à dor também parece diferir entre raças e linhagens.

Por outro lado, não se pode esperar muito da genética em relação à qualidade dos cascos. Apenas 25% dos efeitos são atribuídos à genética, ficando os demais 75% relacionados ao manejo e ambiente. A tabela 1 apresenta a herdabilidade de alguns parâmetros relacionados à qualidade dos cascos.

Tabela 1 - Herdabilidade de parâmetros relacionados à qualidade dos cascos

Parâmetros

Herdabilidade

  Escore de locomoção

  12%

  Ângulo da pinça

  23%

  Dermatite digital

  10%

  Crescimento de tecidos interdigitais

  10%

  Erosão de talão

  8%

  Hemorragia de sola

  5%

  Doença da linha branca

  2%

Fonte: Veeteelt, 1 August 2004

 

Autores: Equipe Leite Integral  

Disponível em http://www.revistaleiteintegral.com.br/noticia/prevenir-ou-remediar

 

 


 

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