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Brasil é líder em número de agtechs na América Latina, mostra estudo

Por: Globo Rural | 23 de junho de 2026


Do universo total de empresas que o mapeamento da Radar identificou, pouco mais da metade atua em mais de uma cadeia produtiva, somando 1.480 agtechs — Foto: Globo Rural

De cada cinco startups do agro latino-americano, quatro são do Brasil, de acordo com o Radar Agtech América Latina e Caribe, um levantamento inédito sobre o universo das agtechs da região. A divulgação do trabalho, uma extensão do mapeamento que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já faz no país, ocorrerá hoje, durante o World Agritech South America Summit, em São Paulo.

Das 2.653 startups do agro que o levantamento identificou na América Latina, 2.075, ou 78% do total, são do Brasil. Na sequência aparecem, pela ordem, Argentina (158), México (110), Chile (91), Colômbia (79) e Uruguai (74).

O Brasil figura como o polo de inovação mais importante da América Latina porque sua estrutura de ciência e tecnologia voltada à agropecuária está mais bem estruturada do que a dos demais países da região, segundo Aurélio Favarin, analista de inovação aberta da Embrapa. “Startups só nascem se dermos condições para elas, e o Brasil tem isso, com vários centros de pesquisa e universidades espalhados pelo país”, avalia.

Do universo total de empresas que o mapeamento identificou, pouco mais da metade atua em mais de uma cadeia produtiva, somando 1.480 agtechs. As que se dedicam a culturas agrícolas são 751, e as que têm pecuária de corte como foco, 136. Horticultura e fruticultura concentram 88 agtechs, e a silvicultura, 84.

No critério de etapas de produção, há 1.789 startups (o equivalente a 67,4% do total) que atuam “dentro da porteira”, fornecendo produtos e serviços que fazem parte do dia a dia dos produtores. No universo “depois da fazenda”, são 649 startups, ou 24,5% da base; e 628 (32,7% do total) fornecem produtos e serviços “antes da fazenda”.

Entre as categorias de atuação, a mais numerosa é a integração de sistemas, soluções e plataformas de dados, com 768 negócios. Na sequência estão, pela ordem, agtechs que atuam com fertilizantes, inoculantes e nutrição vegetal, com 427 empresas, e drones, máquinas e equipamentos, com 254.

Favarin, da Embrapa, lembra que, assim como no restante da América Latina, os serviços que estão no cotidiano dos produtores e resolvem problemas dentro da propriedade são a maioria também entre as agtechs brasileiras. “O grande aprendizado é colocar cada vez mais o produtor no centro dessa equação”, diz.

Participaram do levantamento o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a consultoria Homo Ludens e a gestora SP Ventures, além da Embrapa. O Programa Cooperativo para Desenvolvimento Tecnológico Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul (Procisur) e o Instituto Tecnológico de Monterrey (México) deram apoio à iniciativa.

Aurélio Favarin acredita que, nas próximas edições, o levantamento deverá identificar mais empresas nos demais países da região. “A tendência é que o número fique mais próximo da realidade a partir da contribuição das instituições locais de cada país. No Brasil, já realizamos seis edições, então temos um nível alto de maturidade no mapeamento brasileiro”, afirma. Seja como for, acrescenta ele, “o radar é um mapeamento, e não um censo”.

A partir dos dados sobre as empresas, sua distribuição geográfica e suas áreas de atuação, o estudo apresenta algumas conclusões sobre o futuro das agtechs latino-americanas. Para os autores, a cooperação regional é um fator-chave para o próximo ciclo de crescimento e pode, além disso, acelerar investimentos, inovação e internacionalização das startups.

Fonte: Globo Rurual por Marcos Fantin — São Paulo