O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, disponibiliza hoje as agromensais de maio de 2026.
Abaixo, alguns trechos das análises mensais:
AÇÚCAR: Os preços do açúcar cristal branco registraram quedas consecutivas ao longo de maio no mercado spot paulista, refletindo o avanço da safra 2026/27 no Centro-Sul e as expectativas de maior disponibilidade do produto. A média do Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal, cor Icumsa de 130 a 180, foi de R$ 95,22/saca de 50 kg, recuo de 5,87% em relação à média de abril/2026 (R$ 101,16/sc) e forte retração de 30,75% frente a maio/2025 (R$ 137,50/sc), em termos nominais. De 30 de abril a 29 de maio, o Indicador acumulou queda de 5%, encerrando o período a R$ 93,00/saca de 50 kg no dia 29.
ALGODÃO: Em maio, enquanto os negócios domésticos de algodão em pluma foram pontuais, as exportações continuaram em ritmo acelerado e foram as maiores da história para o mês, além de já terem superado o registrado em toda a safra passada – mesmo faltando dois meses para o fim da temporada. Ainda assim, a comercialização no mercado interno permaneceu mais vantajosa em termos de preços.
ARROZ: Em maio, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul permaneceu com liquidez reduzida. O ritmo mais lento das negociações esteve associado ao aumento gradual da disponibilidade do cereal ao longo do mês, especialmente com a conclusão da colheita da safra 2025/26, e com as dificuldades enfrentadas pelo setor no escoamento do arroz beneficiado.
BOI: O mercado pecuário nacional operou com relativa volatilidade ao longo de maio. A maior disponibilidade de animais terminados em algumas regiões exerceu pressão sobre as cotações em determinados momentos, enquanto a firme demanda internacional pela carne bovina brasileira contribuiu para sustentar os preços da arroba em outros. As exportações seguiram em ritmo aquecido, favorecidas pela competitividade do produto brasileiro no mercado internacional e pelo interesse contínuo de importantes compradores.
CAFÉ: Os preços dos cafés arábica e robusta tiveram comportamentos distintos entre abril e maio. O arábica registrou forte desvalorização e chegou à menor média mensal desde outubro de 2024, em termos reais, devido ao avanço da colheita da temporada 2026/27 no Brasil, que deve ser recorde. As cotações do café robusta, por sua vez, subiram frente a abril, movimento que refletiu um ajuste após as fortes quedas de março para abril e a possibilidade de a produção não alcançar recordes nesta safra.
ETANOL: Os primeiros dois meses da temporada 2026/27 apresentaram um perfil mais alcooleiro no Centro-Sul do Brasil, com as usinas priorizando a produção de etanol em detrimento da de açúcar. No acumulado da safra, o mix chegou a 61,84%, contra 54,77% na safra anterior (dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia – Unica).
FEIJÃO: Após a expressiva valorização registrada ao longo de maio, o mercado de feijão encerrou o mês com compradores mais cautelosos. O repasse das altas entre indústria, atacado e varejo reduziu o ritmo das negociações, enquanto a entrada de novos lotes, a redução da área cultivada, aos estoques enxutos e aos impactos climáticos no Sul do Brasil com atraso na colheita continuam também influenciando a formação dos preços. Ao mesmo tempo, revisões negativas sobre a produção paranaense reforçam o cenário de oferta restrita.
FRANGO: Os preços médios mensais do frango inteiro resfriado e congelado negociados na Grande São Paulo ficaram praticamente estáveis em maio, resultado de um cenário de demanda distinta ao longo do mês, com elevação no início, mas recuo no final do período. Quanto ao frango vivo negociado no estado de São Paulo, por sua vez, os valores subiram de forma considerável de abril para maio, devido ao reajuste nos alojamentos.
MILHO: Os preços do milho acumularam quedas na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea durante o mês de maio, influenciados pela maior oferta, em decorrência da colheita da safra de verão e dos estoques de passagem elevados da temporada 2024/25. Além disso, a segunda safra apresentou desenvolvimento satisfatório na maior parte das regiões produtoras, com exceção de algumas áreas de Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul, onde as condições climáticas (geadas e tempo seco) preocuparam agentes quanto à produtividade. Mesmo assim, há perspectiva de oferta elevada no segundo semestre.
OVINOS: As cotações do cordeiro vivo registraram comportamentos distintos dentre as praças acompanhadas pelo Cepea em maio. Mato Grosso e Bahia foram os únicos estados que registraram baixa no preço, com médias de R$ 13,13/kg e de R$ 26,00/kg, respectivamente, em maio, retrações de 6,2% e de 3,7%, na mesma ordem, frente a abril. As quedas estiveram atreladas à menor procura no período.
SOJA: A liquidez no mercado brasileiro de soja esteve elevada em maio, impulsionada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda aquecida da indústria doméstica de processamento. Esse cenário limitou quedas mais expressivas nos preços da oleaginosa, mesmo diante da safra recorde colhida no Brasil e das perspectivas favoráveis para a oferta global, com o avanço da colheita na Argentina e a semeadura nos Estados Unidos.
TRIGO: Os preços do trigo avançaram no mercado nacional em maio, influenciados pela retração vendedora e pela menor disponibilidade interna do cereal. Vendedores permaneceram cautelosos nas negociações, à espera de melhores oportunidades de comercialização, o que manteve a liquidez reduzida ao longo do mês.