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Boi gordo: Copa, churrasco e dúvidas sobre o fim da pressão de baixa no mercado

Por: Portal DBO | 3 de julho de 2026

Desde as últimas semanas de junho/26, o mercado físico do boi gordo passou a operar sob pressão gradativa sobre a arroba, refletindo no aumento da ociosidade nas plantas frigoríficas, informa a Agrifatto, que acompanha diariamente os negócios do setor em 17 praças brasileiras.

Após um primeiro semestre fora do padrão histórico, marcado pela valorização consistente da arroba em grande parte das regiões pecuárias do País, julho iniciou com uma mudança mais clara de tendência, reacendendo a preocupação dentro da porteira e devolvendo poder de barganha à indústria, que volta a ganhar espaço na mesa de negociação diante de um consumo doméstico apenas regular e de exportações menos aquecidas”, resumem a equipe de analistas da consultoria.

A mudança de ambiente, continua a Agrifatto, decorre da desaceleração da demanda por animais terminados para abate, influenciada sobretudo pelo iminente esgotamento oficial da cota brasileira anual de importação da China (de 1,1 milhão de toneladas), além da possibilidade de suspensão, a partir de setembro/26, dos embarques destinados à União Europeia (EU), que considera que o Brasil não comprovou o cumprimento das regras europeias sobre o uso de antibióticos na produção animal.

Preço do boi gordo recua em importantes praças

Nesta sexta-feira (3/7), a Agrifatto detectou desvalorização nos preços do boi gordo em 4 das 17 regiões monitoradas: AC, MA, PA e RO. Nas demais, as cotações ficaram estáveis.

No dia anterior, a mesma consultoria havia apurada baixa em 5 das 17 praças acompanhadas registraram recuos nas cotações da arroba: GO, MG, MT, RJ e TO.

Cotações do boi gordo em São Paulo

Pelos dados da Scot Consultoria, na comparação com o fechamento da semana passada (26/6), em São Paulo, a cotações do boi gordo e a do “boi-China” fecharam a sexta-feira com retração de 2,6%, enquanto os preços da vaca e a da novilha gordas registraram baixa semanal de 1,9% e 1,2%, respectivamente.

Porém, nesta sexta-feira, após quatro dias consecutivos de queda, as cotações dos animais abatidos no Estado de São Paulo ficaram estáveis, com o boi gordo sem padrão-exportação cotado em R$ 333/@, o “boi-China” em R$ 338/@, a vaca em R$ 312/@ e a novilha em R$ 325/@ (valores brutos, no prazo).

Pressão sobre o boi gordo pode terminar em setembro?

Na avaliação do zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot, julho e agosto devem marcar um cenário de pressão sobre as cotações do boi gordo nas praças brasileiras.

No entanto, diz ele, partir de setembro/26, a dinâmica pode mudar com o preparo da produção para o preenchimento da cota brasileira de 2027, novamente livre da tarifa adicional de 55% determinada pela China.

“Vem virada pela frente?”, indaga Fabbri, em clima de Copa do Mundo.

Consumo interno pode ajudar na recuperação da arroba

Com o pagamento dos salários, neste início de julho, a expectativa é de recuperação no consumo doméstico de carne bovina, setor que tem andado em estado de dormência, mesmo com as festas dos torcedores brasileiros, normalmente marcadas pelo indispensável churrasco na brasa.

Por: Denis Cardoso