A adoção da cerca elétrica tem se tornado uma das estratégias mais inteligentes para o pecuarista que busca intensificar a produção com baixo custo.
Segundo o engenheiro agrônomo Wagner Pires, embaixador de conteúdo do Giro do Boi e autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z”, a tecnologia funciona perfeitamente para o gado de corte, desde que o produtor abandone o amadorismo.
Além de ser uma barreira física, a cerca elétrica atua como uma barreira psicológica. Quando bem instalada, ela custa significativamente menos que a cerca convencional e oferece uma flexibilidade de manejo superior para a divisão de pastagens.
Economia real: um terço do custo tradicional
O principal atrativo da cerca elétrica é, sem dúvida, o fator econômico. Enquanto a cerca convencional de arame farpado ou liso exige um alto investimento em madeira e múltiplas linhas de arame, o sistema elétrico simplifica a estrutura:
- Menos Materiais: o custo por quilômetro chega a ser menos da metade do valor da cerca tradicional, pois utiliza uma quantidade muito menor de estacas e fios.
- Sustentabilidade: ao reduzir a necessidade de madeira (mourões e estacas), o sistema se torna mais sustentável e de rápida instalação.
O “coração” do sistema: tecnologia contra a gambiarra
Wagner Pires é enfático ao afirmar que a cerca elétrica tem um inimigo mortal: a gambiarra. Para que o gado respeite o choque, o sistema precisa de rigor técnico em quatro pontos fundamentais:
- Eletrificador: deve ser dimensionado corretamente para a metragem linear da fazenda.
- Arame Específico: use arames com alta camada de zinco, que garantem melhor condutividade.
- Aterramento: este é o componente mais importante. Sem hastes de cobre bem instaladas em local úmido, o choque não terá intensidade.
- Para-raios: proteção indispensável para evitar que descargas atmosféricas queimem o aparelho.
Adaptação e educação do rebanho
Muitos produtores temem que raças como o Nelore não respeitem o fio eletrificado. No entanto, o especialista explica que o segredo está no treinamento. O gado precisa de um curto período de adaptação em um piquete menor para entender o funcionamento do sistema. Uma vez que o animal associa o fio ao estímulo do choque, o respeito à barreira torna-se absoluto.
“Cerca elétrica não aceita amadorismo. Se você fizer direitinho, dentro da tecnologia, terá a divisão mais barata e eficiente da sua vida”, afirma Wagner Pires.
Fonte: Giro do Boi











