Indubrasil com Angus: cruzamento rende carne de qualidade? Especialista responde

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A raça Indubrasil, que já foi a grande protagonista da pecuária nacional, volta ao centro das atenções quando o assunto é eficiência produtiva e heterose.

Respondendo ao telespectador Ricardo Costa, de Chorozinho (CE), o zootecnista e especialista em genética Alexandre Zadra esclarece que o uso do Indubrasil em cruzamento industrial com o Angus não só funciona, como entrega um produto de carne superior e fêmeas de reposição excepcionais.

Muitos produtores questionam o porquê de a raça ser “pouco falada” atualmente, mas Zadra reforça que as suas virtudes, especialmente o porte e a habilidade materna, são ferramentas valiosas para a pecuária do Nordeste e de todo o Brasil em 2026.

A matriz Indubrasil: habilidade materna e porte

O Indubrasil, raça formada a partir do cruzamento entre Gir, Nelore e Guzerá, carrega o melhor das três bases zebuínas.

A raça é reconhecida pela sua excelente produção de leite e cuidado com a prole. Zadra lembra que, historicamente, as melhores vacas F1 para leite no Nordeste eram baseadas no Indubrasil.

Ao utilizar uma matriz de “orelha pesada”, o pecuarista garante que o bezerro receba nutrição de qualidade na fase inicial, resultando em pesos de desmama acima da média.

O choque de sangue: Indubrasil x Angus

A dúvida sobre a qualidade da carne é sanada pelo conceito de heterose (choque de sangue) entre um zebuíno de grande porte e um taurino britânico.

O cruzamento do Angus (50%) com o Indubrasil (50%) resulta em animais com carne macia e gordura entremeada. O aporte genético do Angus garante o acabamento de gordura, enquanto o Indubrasil entra com a estrutura e adaptabilidade.

Os bezerros machos nascem com alto vigor híbrido, transformando-se em bois pesados rapidamente, superando muitas vezes o desempenho de bois Nelore comuns devido ao maior porte da raça Indubrasil.

A versatilidade da Fêmea F1

A novilha resultante deste cruzamento é um dos maiores trunfos para o caixa da fazenda, permitindo dois caminhos lucrativos:

  • Precocidade na Reposição: graças ao sangue Angus, as fêmeas entram no cio precocemente, permitindo que o produtor obtenha um bezerro “de cabeceira” ainda enquanto a matriz é jovem.
  • Rendimento no abate: após o período reprodutivo, essa fêmea mantém uma carcaça pesada e bem conformada, garantindo um excelente valor de descarte e rendimento de carcaça superior.

Dica técnica de Alexandre Zadra

O animal meio-sangue Angus x Indubrasil possui um metabolismo eficiente, mas, devido ao seu porte maior, exige um pasto de qualidade ou suplementação estratégica para expressar todo o seu potencial de carcaça. Para quem busca aliar tradição, habilidade materna e carne de qualidade, o uso do Indubrasil é um “tiro certo”.

Fonte: Giro do boi

11/02/2026

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